e se pudesse criar o meu nicho de leitura?
creio que ficaria muito indecisa entre estas opções...
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para outros nichos, ver artigo original, do meu site FAVORITO
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O feminino é o que a razão não controla, são as emoções, a natureza, os sentimentos, é tudo o que nos toma sem que racionalmente consigamos explicar, sequer combater. Mais forte, portanto, do que a razão.
A nossa obsessão com controlo é que faz com que as nossas emoções nos pareçam ruins, coisa de gente descontrolada, pouco civilizada, tudo o que o coletivo não gosta. E quem diz o coletivo diz o ego...
É esse o poder do feminino, símbolo de algo que muda sem aviso prévio, numa direção desconhecida e por isso mesmo ameaçadora.
Qualquer pessoa que leia isto vai perguntar-se: mas como é que tu andaste/continuaste com ele? Não sei. Não sei que espécie de loucura momentânea me deu mas estive com ele mais dois meses, até sair do emprego.
Sim, eu posso ter sido a outra, a que o fez trair a mulher mas sou eu que estou devastada, que me despedi do emprego onde era alguém para conseguir deixá-lo e que o deixei melhor do que estava antes.
Fui eu que fiquei com a vida no fosso, com o orgulho de rastos, com as feridas em carne viva.
"First love grows,
Then it dies,
And its all white lies"
Recompus a minha postura, mostrei-te as minhas costas, dei-te o meu desprezo, fingi-te a minha indiferença para não te dar tudo o que sou, para não te vangloriares nas minhas lágrimas, para não saberes que, todo este tempo, estiveste em mim e eu não tive como me separar de ti. Pertenço-te… mas não quero pertencer-te.
Evitemos a morte em doses suaves, Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o Simples acto de respirar. Estejamos vivos, então!
Noutro dia afirmaste, incrédulo, que eu não reparava em ti. Porque eu te dizia que não me lembrava o que trazias vestido da última vez que saímos. Tu dizias que estavas com uma roupa diferente – tudo diferente, calças, camisa até sapatos!!! Eu não reparei.
Mas sabes porquê?
Porque não quero reparar.
Não quero olhar uma vez para ti e decorar instantaneamente o que trazes vestido. Não quero lembrar-me que o perfume que está dentro da cabine do elevador é o teu. Não quero saber essas coisas. Conhecer-te os passos porque fui à varanda ver quem tinha chegado. Não quero saber-te o timbre da voz. E mesmo assim, sem querer, já consigo perceber quando estás chateado. Acho que isso chega-me.
Consigo perceber quando estás a medir terreno, porque te encostas a mim, os dois na ombreira da porta, a espreitar para dentro da minha sala de estar, cheia de gente alegremente a falar sobre o jogo de ontem – tu és parvo, estas pessoas não nasceram ontem e conseguem deduzir o 1 + 1 da nossa dança de eu-não-dou-o-braço-a-torcer.
Tu encostas-te, eu deixo-me estar, mas vejo logo a troca de olhares dos nossos amigos, que estão na sala. Sabes que não ter televisão numa sala abre espaço ao convívio e à observação? Quem vê de fora acha que os olhares são sobre o jogo de ontem, mas eu percebo – tu reparaste? – que os olhares sobre são nós. E, por isso, continuo a não tomar-te atenção.
Porque eu sou péssima a mentir. O meu corpo não vai nessas cantigas de enganar pessoas e faz-me corar quando menos quero, quando menos espero. E como sou transparente, prefiro ficar na ignorância. Porque a ignorância é uma bênção e enquanto andarmos (des)encontrados na vida é dela que preciso.
Ainda que, a bem dizer, é a ti que eu quero. Mas agora não posso.
Agora não vai dar.que acham? qq dia publico um livro, hein?